Grupo

GRUPO JESUS MISERICORDIOSO


Comemora-se no 1° Domingo após à Páscoa

A IMAGEM DE JESUS MISERICORDIOSO

(O DIÁRIO de santa Irmã Faustina) Plock, Polônia “1931, dia 22 de  fevereiro.

À noite, quando me encontrava na minha cela, vi Nosso Senhor vestido de branco.
Uma das mãos erguida para a bênção, e a outra tocava-Lhe a túnica, sobre o peito.
Da túnica entreaberta sobre o peito saíam dois grandes raios, um vermelho e o outro pálido. Em silêncio, eu contemplava o Senhor; a minha alma estava cheia de temor,
mas também de grande alegria. Logo depois, Jesus me disse: Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inserição: Jesus, eu confio em Vós.
(…)
Prometo que a alma que venerar esta Imagem não perecerá. Prometo também, já aqui na Terra, a vitória sobre os inimigos e, especialmente, na hora da morte.
(…) Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia. Quero que essa Imagem, que pintarás com o pincel, seja benta solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia.
Desejo que os sacerdotes anunciem essa Minha grande misericórdia para com as almas pecadoras. Que o pecador não tenha medo de se aproximar de Mim.
(…) Uma vez, cansada dessas diversas dificuldades que  tinha por causa de Jesus falar-me e exigir a pintura da Imagem, decidi firmemente, antes dos votos perpétous, pedir a Frei Andrasz que me dispensasse daquelas inspirações interiores e da obrigação de pintar a Imagem. Depois de me ouvir em confissão, Frei Andrasz deu-me esta resposta: Não dispenso a Irmã de nada e a Irmã não pode esquivar-se dessas inspirações interiores, mas a Irmã deve, necessariamente, relatar tudo ao confessor, sem falta, porque de outra forma a Irmã incorrerá em erro apesar dessas grandes graças de Deus.
Neste Momento, a Irmã está se confessando comigo, mas saiba que devia ter um confessor permanente, isto é, um diretor espiritual. Fiquei imensamente preocupada com tudo isso. Pensei que me livraria de tudo e aconteceu o contrário: uma ordem explícita para atender às exigências de Jesus. E agora um novo tormento, de não ter
um confessor permanente.
(…) Contudo, a bondade de Jesus é infinita e Ele prometeu-me ajuda visível na Terra
e recebi-a em breve em Vilna (Vilnius, Lituânia). Reconheci no padre Sopocko essa ajuda de Deus. Antes de chegar a Vilna, conheci-o por uma visão interior. Certo dia, vi-o na nossa capela entre o altar e o confessionário. Então ouvi uma voz na alma:
Eis a tua ajuda visível na Terra. Ele te ajudará a cumprir a Minha vontade na Terra” (Diário, 47-53).

Para Irmã Faustina, a tarefa imposta por Jesus Cristo era simplesmente irrealizável, visto que
ela não possuía as aptidões plásticas necessárias para isso. Apesar disso, ela procurava ser obediente à vontade de Jesus e tentava pintar o quadro por conta própria, mas sem resultado.
A insistência de Jesus Cristo para que ela realizasse essa tarefa, por um lado, e, por outro lado,
a descrença dos confessores e dos superiores tornou-se para Irmã Faustina um grande sofrimento pessoal.
Durante a sua estada em Plock (cerca de 3 anos), e depois em Varsóvia, ela continuou preocupada com a exigência não realizada de Jesus, tanto mais que lhe fez sentir como nos planos divinos era importante a tarefa que lhe estava confiando:

”De repente vi o Senhor, que me disse: Fica sabendo que, se negligenciares a tarefa da pintura dessa imagem e de toda a obra da misericórdia, serás responsável por um grande número de almas no dia do julgamento” (Diário, 154).

Após professar os votos perpétuos, no dia 25 de maio de 1933 a Irmã Faustina foi transferida
à casa religiosa em  Vilna, onde encontrou a ajuda que anteriormente lhe havia sido prometida
– o confessor e diretor espiritual pe. Sopocko, que empreendeu a tentativa de concretizar as exigências de Jesus Cristo.

”Levado mais pela curiosidade de ver que imagem seria essa do que pela crença na veracidade dessas visões, pedi ao pintor Eugênio Kazimirowski que pintasse esse quadro” (O pe. Sopocko, Memórias).

imagem de Jesus Misericordioso surgiu numa atmosfera de presença divina – das vivências místicas da irmã Faustina. Esse apreciado e bem preparado pintor, ao pintar a imagem de Jesus Misericordioso renunciou à sua própria concepção artística para honestamente recriar na tela o que lhe relatava a irmã Faustina. Durante seis meses ela vinha ao ateliê do artista pelo menos uma vez por semana, a fim de lhe apontar complementações e as necessárias correções. Ela se esforçou por fazer com que a imagem de Jesus Misericordioso fosse exatamente igual à que lhe havia sido apresentada na visão.
Da pintura da imagem participou ativamente o fundador da obra, o pe. Sopocko, que a pedido
do pintor posou vestido de alba. O período da pintura comum serviu de ocasião para uma interpretação mais profunda do conteúdo da imagem. As questões controvertidas eram decididas pelo próprio Jesus Cristo (D. 299; 326; 327; 344). Foi muito eloquente um diálogo de Irmã Faustina com Jesus Cristo a respeito do quadro pintado:

”…quando fui à casa daquele pintor que estava pintando a Imagem e vi que ela não era tão bela como é Jesus, figuei muito triste com isso, mas escondi essa mágoa no fundo do meu coração. (…) a Madre Superiora ficou na citade para resolver diversos assuntos e eu voltei para casa sozinha. Imediatamente dirigi-me à capela e chorei muito. Eu disse ao Senhor: Quem vos pintará tão belo como sois? Então ouvi estas palavras: O valor da imagem não está na beleza da tinta nem na habilidade do pintor, mas na Minha graça” (Diário, 313).

Desse diálogo emana a sinceridade de uma pessoa agraciada com graça sobrenatural, que
em suas vivências místicas via a beleza do Salvador ressuscitado.
Por diversas vezes Jesus Cristo apareceu apareceu a irmã Faustina da forma como se encontra
na imagem (D. 473; 500; 851; 1046; 1565) e também exigiu várias vezes que essa imagem fosse acessível ao culto público. Isso confirma que Jesus Cristo aceitou a imagem pintada no quadro
– santificando-a com a Sua presença viva.

Graças aos empenhos dope. Sopocko, a imagem do Salvador Misericordioso foi exposta na janela da galeria junto à capela de Nossa Senhora da Misericórdia em Ostra Brama, em Vilnius, e nos dias 26-28 de abril de 1935 pela primeira vez foi alvo de veneração pública, durante o solene encerramento do Jubileu dos 1900 anos da Redenção do Mundo. No último dia da solenidade, que era o primeiro domingo após a Páscoa, participou da celebração a irmã Faustina, e o sermão sobre a divina misericórdia foi pronunciado pelo pe. Sopocko, da forma como havia exigido
Jesus Cristo.

”Por admirável desígnio tudo aconteceu como o Senhor havia exigido: a primeira honra que a Imagem recebeu das multidões – foi no primeiro Domingo depois da Páscoa. Durante três dias, ela ficou exposta publicamente e recebeu a honra dos fiéis, pois estava exposta em Ostra Brama (Ausros Vartai), na parte alta da janela e, por isso, podia ser vista de muito longe. Em Ostra Brama era comemorado solenemente, por esses três dias, o encerramento do Jubileu da Redenção do Mundo – os 1900 anos da Paixão do Salvador. ”Agora vejo que a obra da Redenção está ligada com a obra da misericórdia que o Senhor está exigindo” (Diário, 89).

”Quando a Imagem foi exposta, vi o braço de Jesus fazer um movimento e traçar um grande sinal da cruz. Nesse mesmo dia, (…) vi como essa Imagem pairava sobre uma cidade, e essa cidade estava coberta de fios e de redes. À medida que Jesus ia passando, cortava todas essas redes e, no fim, traçou um grande sinal da cruz e desapareceu…” (Diário, 416).

”Quando estava em Ostra Brama, durante as solenidades em que a Imagem foi exposta, assisti ao sermão, que foi pronunciado por meu confessor (M. Sopocko); o sermão tratava da misericórdia de Deus; era a primeira coisa que Jesus havia tanto tempo tinha exigido. Quando começou a falar sobre a grande misericórdia do Senhor,a Imagem tornou-se viva e os raios penetravam no coração das pessoas ali reunidas,embora não na mesma medida; uns recebiam mais, outros menos. Uma grande alegria inundou minha alma ao ver a graça de Deus” (Diário, 417).

”Quando estava se encerrando a celebração e o sacerdote segurou o Santíssimo Sacramento para dar a bênção, então vi Jesus tal como está pintado na Imagem.
O Senhor deu a Sua bênção e os dois raios espalharam-se pelo mundo inteiro.
Então, vi uma claridade impenetrável, sob a forma de uma casa de cristal, tecida de ondas de claridade inacessível a nenhuma criatura, nem espírito. A essa claridade conduziam três portas – e nesse momento Jesus, como aparece na Imagem, entrou nessa claridade pela segunda porta – no interior da Unidade” (Diário, 420).

As solenidades de Ostra Brama foram para Irmã Faustina o sinal e o cumprimento das graças previamente anunciadas – a manifestação pública do poder da Divina Misericórdia.

No dia 4 de abril de 1937, com a autorização do metropolita de Vilna, o arcebispo Romualdo Jalbrzykowski, a imagem do Misericordiosíssimo Salvador Jesus Misericorioso foi benta e exposta na igreja de S. Miguel em Vilna, perto do altar-mor. Ali belamente exibida numa suntuosa moldura dourada, emanou santidade até o ano de 1948. Era venerada e agraciada por numerosos votos, e a devoção à Misericórdia Divina rapidamente se espalhou para fora dos limites de Vilna.
De forma admirável, apesar das possibiidades limitadas, atingiu milhões de pessoas no mundo.

”Em sua correspondência posterior com o pe. Sopocko, Irmã Faustina escreve:
Deus me deu a conhecer que está satisfeito com o que já foi feito. Mergulhando na oração e na proximidade de Deus, senti em minha alma uma profunda paz quanto ao conjunto dessa obra. (…) E agora, no que diz respeito a essas imagens (pequenas cópias), (…) aos poucos as pessoas as vão comprando e muitas almas já alcançaram a graça divina, que brotou dessa fonte. Como tudo, também esta obravai progredir aos poucos. Esses santinhos não são tão bonitos como aquela imagem grande, mas são comprados por aqueles que se sentem atraídos pela graça divina…” (Trecho de uma carta, Cracóvia, 21 de fevereiro de 1938).

Em consequência das operações de guerra (1939-1945), a imagem de Jesus Misericordioso permaneceu na área da URSS e por algumas dezenas de anos tornou-se inacessível aos romeiros. Apesar das muitas ameaças (por muitos anos a imagem permaneceu escondida num sótão, enrolada, guardada num ambiente úmido e frio e diversas vezes restaurada de forma inapta),
por uma milagrosa intervenção divina nada sofreu durante os tempos do comunismo.
Durante os anos seguintes a imagem se encontrou: na igreja de Santa Miguel (1937-1948); na igreja de Nowa Ruda, na atual Bielo-Rússia (1949-1986); na igreja do Espírito Santo em Vilna (1987-2005). Desde 2005 a imagem é venerada no Santuário da Misericórdia Divina em Vilna.

Por ocasião da sua peregrinação à Lituânia, no dia 5 de setembro de 1993, na igreja do Espírito Santo em Vilna, diante da imagem de Jesus Misericordioso em Vilna, rezou o Papa João Paulo II. Na sua alocução aos fiéis, chamou essa imagem de

”A SAGRADA IMAGEM”

Na história das aparições, é conhecido apenas um caso em que Jesus Cristo expressou o desejo de que fosse pintado um quadro com a Sua imagem e apresentou a sua configuração plástica. Após a pintura da imagem, por diversas vezes revelou a Irmã Faustina a Sua presença viva na forma como ela fora pintada na imagem. Além disso, pela promessa de conceder graças especiais aos devotos dessa imagem, conferiu-lhe um excepcional valor religioso.

”Por meio dessa Imagem concederei muitas graças às almas;
que toda alma tenha, por isso, acesso a ela” (Diário, 570).

”Ofereço aos homens um vaso,
com o qual devem vir buscar graças na fonte da misericórdia.

Esse vaso é a Imagem com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós” (Diário, 327).

”Os dois raios (na imagem) representam o Sangue e a Água: o raio pálido significa a Água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas. Ambos os raios jorraram das entranhas da Minha misericórdia, quando na Cruz o Meu Coração agonizante foi aberto pela lança (…). Feliz aquele que viver à sua sombra, porque não será atingido pelo braço da justiça de Deus” (Diário, 299).

”Hoje vi duas colunas muito grandes fincadas no chão: uma delas coloquei-a eu e a segunda, outra pessoa, S.M. (M. Sopocko). (…) Essas duas colunas encontravam-se perto uma da outra na largura da Imagem, e vi essa Imagem pendurada nelas muito alto. Num instante, sobre estas duas colunas surgiu um grande santuário, interior e exteriormente. Vi a mão que terminava a construção desse santuário, mas não vi a pessoa. Havia uma grande multidão de pessoas fora e dentro do santuário, e as torrentes que saíam do compassivo Coração de Jesus desciam sobre todos”
(Diário, 1689).

”DESEJO QUE O MUNDO TODO CONHEÇA A MINHA MISERICÓRDIA”
(Diário, 687).

Fragmento do Sudário de Turim

De depoimentos pessoais do pe. Sopocko (conservados em fitas cassete) resulta que ele deixou à Irmã Faustina total liberdade na cooperação com o pintor. Ao mesmo tempo, em seus depoimentos ele confirma que a imagem foi pintada exatamente de acordo com as orientações dela. O extraordinário cuidado na transmissão da Santa Efígie do Salvador, gravada na memória, é confirmada pelo fato de que a efígie da imagem corresponde perfeitamente ao tamanho da figura no Sudário de Turim.

RECORDAÇÕES

No original com a assinatura:
Bialystok (Polônia), 27.01.1948.
/-/ Pe. Miguel Sopocko confessor de Irmã Faustina
MINHAS RECORDAÇÕES SOBRE A FALECIDA IRMÃ FAUSTINA

Existem verdades da santa fé que na realidade a gente conhece e que recorda, mas que
não compreende bem nem com elas vive. Assim aconteceu comigo quanto à verdade da Misericórdia Divina. Tantas vezes pensei a respeito dessa verdade nas meditações, especialmente nos retiros, tantas vezes dela falei nos sermões e a repeti nas orações litúrgicas, mas não penetrei o seu conteúdo e o seu significado para a vida espiritual; de maneira especial eu não compreendia, e num primeiro momento não podia concordar que
a Misericórdia Divina seja o supremo atributo do Criador, Redentor e Santificador.

Foi preciso que surgisse uma alma simples e piedosa, estreitamente unida com Deus, a qual – como acredito – por inspiração divina me falou sobre isso e me estimulou a estudos, pesquisas e reflexões a esse respeito. Essa alma foi a falecida Irmã Faustina (Helena Kowalski), da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia, que aos poucos conseguiu fazer com que eu considerasse a questão do culto da Misericórdia Divina, e de maneira especial
a instituição da festa da Misericórdia Divina no primeiro domingo depois da Páscoa, como um dos principais objetivos da minha vida.

Eu conheci a Irmã Faustina no verão (julho ou agosto) de 1933, como minha penitente na Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia em Vilna (Vilnius), Lituânia
(Rua Senatorska, 25), na qual eu era então confessor comum. Ela chamou a minha atenção pela extraordinária delicadeza de consciência e pela íntima união com Deus; principalmente porque não havia matéria para absolvição, e ela nunca ofendeu a Deus com um pecado grave. Já no início ela me declarou que me conhecia havia muito tempo de alguma visão, que eu devia ser o seu diretor de consciência e que devia concretizar certos planos divinos que
deviam ser por ela apresentados.

Eu menosprezei esse seu relato e a submeti a certa prova, a qual fez com que, com a autorização da Superiora, Ir. Faustina começasse a procurar um outro confessor.
Algum tempo depois voltou para falar comigo e declarou que suportaria tudo, mas que de mim já não se afastaria. Não posso, aqui, repetir todos os detalhes da nossa conversa, que em parte encerra-se em seu Diário, escrito por ela por minha recomendação, visto que lhe proibi depois falar das suas vivências na confissão.

Tendo conhecido mais de perto Irmã Faustina, constatei que os dons do Espírito atuavam nela em estado oculto, mas que em certos momentos bem freqüentes manifestavam-se de maneira evidente, concedendo parcialmente uma intuição que envolvia a sua alma, despertava ímpetos de amor, de sublimes e heróicos atos de sacrifício e de abnegação de si mesma. De maneira especialmente freqüente manifestava-se a ação dos dons da ciência, sabedoria e inteligência, graças aos quais Irmã Faustina via claramente a nulidade dos bens terrenos e a importância dos sofrimentos e das humilhações.

Ela conhecia simplesmente os atributos de Deus, sobretudo a Sua Infinita Misericórdia, enquanto muitas outras vezes contemplava uma luz inacessível e beatífica; mantinha por algum tempo fixo o seu olhar nessa luz inconcebivelmente beatífica, da qual surgia a figura de Cristo caminhando, abençoando o mundo com a mão direita e com a esquerda levantando
o manto na região do coração, de onde brotavam dois raios – um branco e um vermelho.
Irmã Faustina tinha essas e outras visões sensitivas e intelectuais já havia alguns anos e ouvia palavras sobrenaturais, captadas pelo sentido da audição, pela imaginação e pela mente.

Temeroso da ilusão, da alucinação e da fantasia de Irmã Faustina, eu me dirigi à Superiora, Irmã Irene, a fim de que me informasse a respeito de quem era Irmã Faustina, de que fama gozava na Congregação junto às Irmãs e Superioras, bem como solicitei um exame da sua saúde psíquica e física. Após ter recebido uma resposta lisonjeira para ela sob todos os aspectos, por algum tempo continuei ainda a manter uma posição de expectativa; em parte
eu não acreditava, refletia, rezava e investigava, da mesma forma que me aconselhava com alguns sacerdotes doutos a respeito do que fazer, sem revelar do que e de quem se tratava.
E tratava-se da concretização de supostas exigências categóricas de Jesus Cristo no sentido de pintar uma imagem que Irmã Faustina via, bem como de instituir a festa da Misericórdia Divina no primeiro domingo depois da Páscoa.

Finalmente, levado mais pela curiosidade de que tipo de imagem seria essa do que pela fé na veracidade das visões de Irmã Faustina, decidi dar início à pintura dessa imagem. Conversei com o artista e pintor Eugênio Kazimirowski, que residia juntamente comigo na mesma casa,
o qual a troco de certa importância prontificou-se a realizar a pintura, e ainda com a IrmãSuperiora, a qual permitiu que Irmã Faustina duas vezes por semana fosse ter com o pintor a fim de mostrar como devia ser essa imagem.

Esse trabalho durou alguns meses, e finalmente, em junho ou julho de 1934, a imagem estava pronta. Irmã Faustina queixava-se de que a imagem não estava tão bonita como ela a via, mas Jesus Cristo a tranqüilizou e disse que naquela forma a imagem seria suficiente. E acrescentou:“Estou fornecendo aos homens um vaso com que devem vir buscar as graças junto a Mim. Esse vaso é esta imagem com a legenda: Jesus, confio em Vós”.

De início Irmã Faustina não conseguia explicar o que significavam os raios na imagem.
Mas depois de alguns dias disse que Jesus Cristo lhe havia explicado em oração: “Os raios nessa imagem significam o Sangue e a Água. O raio pálido significa a Água que justifica as almas, e o raio vermelho – o Sangue, que é a vida da alma. Eles brotam do Meu Coração, que foi aberto na Cruz. Esses raios protegerão a alma diante da ira do Pai Celestial. Feliz aquele que viver à sua sombra, porque não será atingido pela justa mão de Deus… Prometo que a alma que venerar esta imagem não perecerá. Prometo também já aqui na terra a vitória sobre os inimigos, especialmente na hora da morte. Eu mesmo a defenderei como a Minha glória… Desejo que o primeiro domingo depois da Páscoa seja a festa da Misericórdia Divina. Quem nesse dia participar do Sacramento do Amor, alcançará o perdão de todas as culpas e castigos… A humanidade não encontrará paz enquanto não se dirigir com confiança à Misericórdia Divina. Antes de vir como juiz imparcial, venho como Rei de Misericórdia, para que ninguém se escuse no dia do julgamento, que já não está distante…”

Essa imagem tinha um conteúdo um pouco diferente, e por isso eu não podia colocá-la na igreja sem a autorização do Arcebispo, a quem eu tinha vergonha de pedir isso, e mais ainda falar da origem dessa imagem. Por isso a coloquei num corredor escuro ao lado da igreja
de Santa Miguel (no convento das Irmãs Beneditinas), da qual eu então havia sido nomeado reitor. A respeito das dificuldades da permanência junto a essa igreja já me havia predito Irmã Faustina, e realmente acontecimentos extraordinários começaram a ocorrer muito rápido.
Irmã Faustina exigia que a todo custo eu expusesse a imagem na igreja, mas eu não me apressava.
Finalmente, na Sexta-Feira Santa de 1935 ela me declarou que Jesus Cristo estava exigindo que eu expusesse a imagem por três dias no santuário de Ostra Brama (Ausros Vartai),onde haveria um tríduo para o encerramento do jubileu da Redenção, que aconteceria no dia da festa projetada, no Domingo “in albis”. Em breve fiquei sabendo que haveria esse tríduo,
para o qual o pároco de Ostra Brama,o cônego Estanislau Zawadzki, me convidou para pregar um sermão. Eu aceitei, com a condição de expor aquela imagem como decoração no claustro, onde o quadro tinha uma aparência imponente e chamava a atenção de todos, mais que
a imagem de Nossa Senhora.

Após a celebração a imagem foi levada de volta ao antigo lugar, escondido, e ali permaneceu por mais dois anos. Somente no dia 01.04.1937 pedi a Sua Excelência o Arcebispo Metropolitano de Vilna (Vilnius), Lituânia a autorização para expor essa imagem na igreja de Santa Miguel, da qual eu ainda então era reitor. Sua Excelência o Arcebispo Metropolitano disse que não queria decidir isso por conta própria. Ordenou que a imagem fosse examinada por uma comissão que foi organizada pelo cônego Adão Sawicki, chanceler da Cúria Metropolitana.

O chanceler ordenou que a imagem fosse exposta no dia 2 de abril na sacristia da igreja de Santa Miguel, visto que não sabia a hora em que ocorreria a sua observação.
Estando ocupado no meu trabalho no Seminário religioso e na Universidade, não estive presente na observação da imagem e não sei como se compunha aquela comissão.
No dia 3 de abril de 1937 Sua Excelência o Arcebispo Metropolitano de Vilna avisou-me que já tinha informações exatas sobre essa imagem e que permitia a sua exposição na igreja com a restrição de que fosse exposta no altar e que a ninguém fosse falado da sua origem.

Nesse dia a imagem foi benta e exposta ao lado do altar-mor, do lado esquerdo, de onde por diversas vezes foi levada à paróquia de Santa Francisco (que havia sido dos Bernardinos) para a procissão de Corpus Christi, aos altares que eram preparados para a ocasião. No dia 28.12.1940 as Irmãs Bernardinas transferiram-na a um outro lugar, quando a imagem foi um pouco danificada, e em 1942, quando elas foram detidas pelas autoridades alemãs, a imagem voltou ao lugar antigo, ao lado do altar-mor, onde permanece até agora, cercada de grande veneração dos fiéis e adornada de numerosos votos.

Alguns dias após o tríduo em Ostra Brama, Irmã Faustina contou-me as suas vivências durante essa solenidade, que estão detalhadamente descritas em seu Diário. A seguir, no dia 12 de maio, ela viu em espírito o agonizante Marechal José Pilsudski e falou-me dos seus terríveis sofrimentos. Jesus Cristo lhe teria mostrado isso e dito: “Vê em que termina a grandeza deste mundo”. Viu a seguir o seu julgamento e, quando perguntei como esse julgamento terminou, ela respondeu: “Parece que a Misericórdia Divina, pela intercessão de Nossa Senhora, saiu vencedora”.

Em breve tiveram início as grandes dificuldades preditas por Irmã Faustina (e relacionadas com a minha permanência junto à igreja de Santa Miguel) e que continuamente se intensificavam, e finalmente chegaram ao ponto culminante em janeiro de 1936.

A respeito dessas dificuldades eu não falei a quase ninguém, até que no dia crítico pedi a oração de Irmã Faustina. Para o meu grande espanto, naquele mesmo dia todas as dificuldades desapareceram, como uma bolha de sabão, e Irmã Faustina me disse que havia assumido os meus sofrimentos e que naquele dia eles haviam sido tantos como nunca antes em sua vida. Quando a seguir pediu a ajuda de Jesus Cristo, ouviu estas palavras: “Tu mesma te dispuseste a sofrer por ele, e agora sentes aversão? Eu permiti que sobre ti recaísse apenas uma parte dos sofrimentos dele”.

Então com toda a exatidão contou-me o motivo dos meus sofrimentos, que lhe teriam sido comunicados de maneira sobrenatural. Essa exatidão era muito surpreendente, tanto mais que de forma alguma ela podia ter conhecimento desses detalhes. Os acontecimentos desse tipo foram vários.

Em meados de abril de 1936 Irmã Faustina, por ordem da Superiora Geral, viajou a Walendow, e a seguir a Cracóvia, enquanto eu passei a refletir mais seriamente sobre a questão da Misericórdia Divina e comecei a buscar junto aos Padres da Igreja a confirmação de que ela é o maior atributo de Deus, como dizia Ir. Faustina, porque nas obras dos teólogos mais recentes nada havia encontrado a esse respeito. Com grande alegria encontrei expressões semelhantes em S. Fulgêncio e em S. Ildefonso, e mais ainda em S. Tomás e S. Agostinho, o qual – comentando os salmos – fazia amplos comentários sobre a Misericórdia Divina, chamando-a de maior atributo divino. Então eu já não tinha dúvidas a respeito da seriedade das revelações de Irmã Faustina no que dizia respeito ao seu caráter sobrenatural e de vez em quando comecei a publicar artigos a respeito da Misericórdia Divina em publicações teológicas, fundamentando de forma racional e litúrgica a necessidade da uma Festa da Divina Misericórdia no primeiro domingo depois da Páscoa.

Em junho de 1936 publiquei em Vilna a primeira brochura, “A Misericórdia Divina”, com a imagem de Cristo Misericordiosíssimo na capa. Enviei essa primeira publicação sobretudo aos Excelentíssimos Bispos reunidos na conferência do Episcopado em Czestochowa, mas de nenhum deles recebi uma resposta. No ano seguinte, em 1937, publiquei em Poznan uma outra brochura, intitulada “A Misericórdia Divina na liturgia”, cuja resenha, em geral muito favorável, encontrei em diversas publicações teológicas. Publiquei também diversos artigos nos jornais de Vilna, sem jamais revelar que a Ir. Faustina era a “causa movens”.

Em agosto de 1937 fiz uma vista a Irmã Faustina em Lagiewniki e encontrei em seu Diário a novena da Misericórdia Divina, da qual gostei muito. Quando lhe perguntei onde a havia conseguido, ela me respondeu que essa oração lhe havia sido ditada pelo próprio Jesus Cristo. Disse ainda que antes disso Jesus Cristo lhe havia ensinado o Terço da Misericórdia e outras orações, que decidi publicar. Com base em algumas expressões contidas nessas orações,
redigi uma ladainha da Misericórdia Divina, que juntamente com o terço e a novena entreguei ao Sr. Cebulski (Cracóvia, Rua Szewska, 22) com o objetivo de obter o “imprimatur” na Cúria de Cracóvia e de publicar essas orações com a imagem da Divina Misericórdia na capa.
A Cúria de Cravóvia concedeu o “imprimatur” sob o n. 671, e em outubro aquela novena, com o terço e a ladainha, estava disponível nas estantes das livrarias.

Em 1939 eu mandei trazer certa quantidade desses santinhos e novenas a Vilna, e após a eclosão da guerra e a invasão dos exércitos da URSS (19.09.1939) pedi a Sua Excelência o Arcebispo Metropolitano de Vilna a autorização para a sua divulgação, com a informação sobre a sua origem e a da imagem representada nesses terços, para o que obtive autorização oral. Então comecei a difundir o culto privado dessa imagem (para o que obtive autorização oral), bem como das orações compostas pela Irmã Faustina e aprovadas em Cracóvia.

Quando se esgotou a edição de Cracóvia, eu me vi forçado a multiplicar essas orações em cópias feitas à máquina, e quando não podia mais dar conta, em razão da grande procura, pedi à Cúria Metropolitana de Vilna a autorização para uma reimpressão, com o acréscimo, na primeira página, de esclarecimentos sobre o conteúdo da imagem. Obtive essa autorização com a assinatura do censor monsenhor Leon Zebrowski, do dia 06.02.1940, bem como de S. Exa. o Bispo Auxiliar Casimiro Michalkiewicz e do notário da Cúria, pe. J. Ostrewko,
do dia 07.02.1940, sob o n. 35. Enfatizo que eu não sabia se o “imprimatur” seria assinado e por quem, e que a esse respeito não havia falado com S. Exa. o Bispo Auxiliar, que algumas semanas depois faleceu.

Na qualidade de censor, o monsenhor pe. Zebrowski introduziu algumas correções estilísticas no texto da edição de Cracóvia, mas a maioria dos fiéis preferiu deixar esse texto sem mudanças. Por isso, com a aprovação do censor, eu me dirigi à Cúria novamente (já após a morte de S. Exa. o Bispo Auxiliar) pedindo a aprovação dessas orações sem as correções.
O padre notário J. Ostrewko levou o requerimento ao Metropolita, que através desse notário disse que eu fizesse uso da aprovação assinada pelo falecido Bispo Auxiliar, o que acabei fazendo. Eu me estendi a respeito dessa circunstância porque depois surgiram boatos (nas esferas oficiais) de que eu havia obtido essa aprovação através de algum ardil.

Ainda em Vilna a Irmã Faustina me contava que se sentia impelida a sair da Congregação de Nossa Senhora da Misericórdia com o objetivo de fundar uma nova congregação religiosa. Eu reconheci nisso uma tentação e aconselhei que ela não levasse isso a sério. Depois, nas cartas de Cracóvia, ela sempre escrevia dessa pressão e finalmente obteve a autorização do seu novo confessor e da Superiora Geral para deixar a sua Congregação, com a condição de que eu concordasse com isso. Eu receava assumir a responsabilidade por isso e respondi que concordaria somente se o confessor de Cracóvia e a Superiora Geral não apenas permitissem, mas ordenassem que ela se afastasse. Irmã Faustina não obteve uma ordem desse tipo. Por isso tranqüilizou-se e permaneceu em sua Congregação até a morte.

Eu a visitei no decorrer da semana e entre outras coisas conversei a respeito dessa Congregação que ela queria fundar, e agora estava à morte, assinalando que isso certamente havia sido uma ilusão, da mesma forma que talvez tivessem sido uma ilusão todas as outras coisas a respeito de que ela falara. Irmã Faustina prometeu conversar a esse respeito com Jesus Cristo em oração. No dia seguinte celebrei uma missa na intenção de Irmã Faustina, durante a qual tive a idéia de que, da mesma forma que ela não havia sido capaz de pintar essa imagem, tendo apenas fornecido as informações, também não seria capaz de fundar uma nova congregação, mas apenas de fornecer para isso as indicações básicas; e essas pressões significavam que nos tempos terríveis que se aproximavam haveria a necessidade dessa
nova Congregação.

A seguir, quando cheguei ao hospital e perguntei se tinha algo a dizer a respeito desse assunto, ela respondeu que não precisava dizer nada, porque durante a missa Jesus Cristo já me havia iluminado. Em seguida acrescentou que eu devia principalmente preocupar-me com a festa da Divina Misericórdia no primeiro domingo depois da Páscoa; que com a nova Congregação eu não devia preocupar-me muito; que através de certos sinais eu saberia o que devia ser feito a esse respeito e por quem; que no sermão que naquele dia eu havia pronunciado pelo rádio não tinha havido uma intenção pura (e realmente assim foi) – e que nessa questão eu devia empenhar-me principalmente por ela; e que estava vendo que numa pequena capela
de madeira, à noite, eu estava aceitando os votos das primeiras seis candidatas a essa Congregação; que ela morreria depressa; que tudo que tinha para dizer e escrever já havia feito. Ainda antes disso ela me descreveu a aparência da igrejinha e da casa da primeira Congregação, lamentando o destino da Polônia, que ela muito amava e pela qual muitas
vezes rezava.

Seguindo o conselho de S. João da Cruz, quase sempre eu tratava os relatos de Irmã Faustina com indiferença e não indagava a respeito de detalhes. Nesse caso também não perguntei que destino era esse que estava à espera da Polônia e que a deixava tão magoada.
E ela mesma não me disse isso, mas, suspirando, cobriu o rosto diante do horror da imagem que provavelmente então estava vendo.

Quase tudo que ela predisse a respeito dessa Congregação cumpriu-se nos mínimos detalhes. No dia 10 de novembro de 1944, quando em Vilna eu estava aceitando à noite os votos particulares das primeiras seis candidatas na capela de madeira das Irmãs Carmelitas, ou quando três anos mais tarde eu fui à primeira casa dessa Congregação em Myslibórz, eu me sentia assombrado com a impressionante semelhança com tudo que havia dito a falecida Irmã Faustina.
Ele predisse também, com muitos detalhes, as dificuldades e até as perseguições com que eu me defrontaria por motivo da difusão do culto da Misericórdia Divina e dos meus empenhos pela instituição da Festa com esse nome no Domingo da Pascoela. (Foi mais fácil suportar tudo isso com a convicção de que desde o início essa havia sido a vontade divina em toda essa questão.)
Ela me predisse a sua morte para o dia 26 de setembro, dizendo que morreria dentro
de dez dias, e faleceu no dia 5 de outubro. Por falta de tempo, não pude participar do seu sepultamento.

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O QUE JULGAR DE IRMA FAUSTINA E DAS SUAS REVELAÇÕES?

No que diz respeito à índole natural, era uma pessoa inteiramente equilibrada, sem sombra de psiconeurose ou de histeria. A naturalidade e a simplicidade eram as marcas da sua convivência, tanto com as irmãs na congregação como com outras pessoas. Não havia nela nenhuma artificialidade ou teatralidade, nenhum fingimento nem vontade de chamar a atenção dos outros para si. Pelo contrário, ela procurava não se distinguir em nada das outras, e a respeito das suas vivências interiores não falava a ninguém, além do confessor e das superioras. A sua sensibilidade era normal, controlada pela vontade, mas manifestava-se facilmente em humores diferentes e emoções. Não estava sujeita a nenhuma depressão psíquica, nem ao nervosismo nos insucessos, que suportava tranqüilamente, com submissão à vontade divina.

Sob o aspecto mental era prudente e distinguia-se por um sadio discernimento das coisas, embora não tivesse quase nenhuma instrução: mal sabia escrever com erros e ler. Dava acertados conselhos a suas companheiras quando a ela se dirigiam, e por diversas vezes eu mesmo, a título de teste, apresentei-lhe certas dúvidas, que ela resolveu com muito acerto. A sua imaginação era rica, mas não exaltada. Muitas vezes não era capaz de distinguir sozinha a ação da sua imaginação da ação sobrenatural, principalmente quando se tratava de recordações do passado. E quando chamei a sua atenção a isso e mandei que sublinhasse no Diário apenas aquilo a respeito do que pudesse jurar que não era um fruto da sua imaginação, ela deixou de lado uma boa parte das suas antigas recordações.

Sob o aspecto moral era inteiramente sincera, sem a mínima tendência ao exagero ou sombra de mentira: sempre dizia a verdade, ainda que às vezes isso lhe causasse dissabor. No verão de 1934 fiquei ausente por algumas semanas, e Irmã Faustina não confidenciava a outras pessoas as suas vivências. Após a minha volta, fiquei sabendo que ela havia queimado o seu diário, o que aconteceu nas seguintes circunstâncias. Dizia ela que lhe havia aparecido um anjo, dizendo que lançasse esse diário no forno, dizendo: “É uma bobagem o que estás escrevendo, expondo apenas a ti mesma e aos outros a grandes dissabores. O que tens a lucrar com essa misericórdia? Por que perdes o tempo escrevendo tais fantasias?! Queima tudo isso, e ficarás mais tranqüila e mais feliz!” Irmã Faustina não tinha com quem aconselhar-se e, quando essa visão se repetiu, cumpriu a recomendação do pretenso anjo. Depois percebeu que havia agido mal, contou-me tudo e cumpriu a minha ordem de escrever tudo novamente.

No que diz respeito às virtudes sobrenaturais, ela fazia visíveis progressos. Na realidade, desde o início eu havia visto nela as fundamentadas e testadas virtudes da castidade, da humildade, do zelo, da obediência, da pobreza e do amor a Deus e ao próximo, mas podia-se facilmente constatar o seu gradual crescimento, especialmente no final da vida
a intensificação do amor a Deus, que ela manifestava em seus versos. Hoje não me lembro exatamente do seu conteúdo, mas de modo geral lembro-me do meu enlevo quanto ao seu conteúdo (não quanto à forma), quando os lia no ano de 1938.

Uma vez vi Irmã Faustina em êxtase. Foi no dia 2 de setembro e 1938, quando a visitei o hospital em Pradnik e dela me despedi para viajar a Vilna. Tendo-me afastado alguns passos, lembrei que tinha trazido para ela alguns exemplares das orações (novena, ladainha e terço) à Misericórdia Divina por ela compostas e publicadas em Cracóvia e então voltei de imediato para entregá-los. Quando abri a porta do quarto em que se encontrava, eu a vi mergulhada em oração e sentada, mas quase elevando-se sobre a cama. O seu olhar estava fixo em algum objeto invisível, as pupilas um tanto dilatadas. Ela não deu atenção à minha entrada, mas eu não queria perturbá-la e fiz menção de retirar-me. Em breve, no entanto, voltou a si, percebeu-me e pediu desculpas por não ter ouvido eu bater à porta, dizendo que não me tinha ouvido bater nem entrar. Então já não tive a mínima dúvida de que o que constava no Diário a respeito da santa Comunhão oferecida no hospital por um Anjo correspondia à realidade.

No que diz respeito ao objeto das revelações de Irmã Faustina, não há nele nada que se oponha à fé ou aos bons costumes, ou que diga respeito a opiniões controvertidas entre os teólogos. Ao contrário, tudo visa ao melhor conhecimento e ao amor de Deus. “A imagem apresenta uma execução artística e constitui um valioso patrimônio na arte religiosa contemporânea” (Protocolo da Comissão encarregada da avaliação e conservação da imagem do Salvador Misericordiosíssimo na igreja de S. Miguel em Vilna, do dia 27 de maio de 1941, assinado pelos peritos: professor de história da arte dr. M. Morelowski, professor de dogma
pe. dr. L. Puchaty e conservador pe. dr. P. Sledziewski).

O culto da Misericórdia Divina (privado, em forma de novena, terço e ladainha) não apenas não se opõe em nada aos dogmas nem à liturgia, mas visa a esclarecer as verdades da santa fé e à apresentação prática daquilo que até então tinha com a liturgia apenas uma relação; a enfatizar e apresentar ao mundo inteiro aquilo a respeito do que amplamente haviam escrito os Padres da Igreja, o que tinha em mente o autor da liturgia e o que hoje exige a grande miséria humana.

A intuição de uma simples religiosa, que mal conhecia o catecismo, em coisas tão delicadas, tão acertadas e adequadas à psicologia da sociedade de hoje não pode ser explicada de outra forma que não seja a ação e a iluminação sobrenatural. Muitos teólogos, após longos estudos, não seriam capazes nem de perto de resolver essas dificuldades de forma tão acertada e fácil como o fez Irmã Faustina.

Na realidade, à ação sobrenatural na alma de Irmã Faustina muitas vezes aliava-se a ação da sua imaginação humana e bastante viva, em conseqüência do que certas coisas foram por ela inconscientemente um pouco deturpadas. Mas isso tem ocorrido com todas as pessoas desse tipo, como confirmam as suas biografias, p. ex.: S. Brígida, Catarina Emmerich,
Maria de Zgreda, Joana d´Arc, etc. Com isso pode ser explicada a divergência entre a descrição de Irmã Faustina a respeito da sua aceitação no convento e os depoimentos da Reverendíssima Madre Geral Michaela Moraczewski, e possivelmente também outras expressões semelhantes no Diário. Aliás trata-se de assuntos antigos, a respeito dos quais ambas as partes podiam ter-se esquecido ou que podiam ter parcialmente mudado, mas assuntos que não dizem respeito à essência da questão.

Os efeitos das revelações de Irmã Faustina, tanto na sua alma como nas almas de outras pessoas, superaram todas as expectativas. Enquanto no início Ir. Faustina estava um pouco assustada, temia a possibilidade de executar as ordens e esquivava-se a elas, aos poucos se tranqüilizou e chegou a um estado de total segurança, certeza e profunda alegria interior: tornava-se cada vez mais humilde e obediente, cada vez mais unida a Deus e paciente, concordando inteiramente e em tudo com a Sua vontade. Parece que não há necessidade de nos estendermos sobre os efeitos dessas revelações nas almas das outras pessoas que a respeito delas tiveram conhecimento, visto que os próprios fatos dão a esse respeito o melhor testemunho.
Os numerosos votos (cerca de 150) junto à imagem do Salvador Misericordiosíssimo em Vilna e em muitas outras cidades testemunham suficientemente as graças concedidas aos devotos da Misericórdia Divina, tanto na Polônia como no exterior. De todos os lados chegam notícias
a respeito de milagrosos atendimentos por parte da Misericórdia Divina, muitas vezes nitidamente milagrosos.

Sintetizando o dito acima, poderíamos facilmente tirar uma conclusão; mas, visto que a decisão definitiva a esse respeito depende da infalível instituição da Igreja, com toda a submissão a ela nos submetemos e com a máxima tranqüilidade aguardamos o seu veredicto.

/-/ Pe. Miguel Sopocko confessor de Irmã Faustina

 

HISTÓRIA

DA IMAGEM DE JESUS MISERICORDIOSO

ZD
A casa onde foi pintada a primeira imagem de Jesus Misericordioso.
Ao longe, a igreja que as autoridades soviéticas transformaram em prisão, ativa até 2008.

O padre Sopocko confiou a pintura da imagem de Jesus Misericordioso no início de 1934
ao pintor de Vilnius Eugênio Kazimirowski. A residência do pe. Sopocko e a residência e o ateliê de Kazimirowski localizavam-se no mesmo prédio. Durante a pintura da imagem, ao menos duas vezes por semana a irmã Faustina ia ao ateliê a fim de fornecer orientações e sugerir detalhes relacionados com a aparência da imagem. O padre Sopocko cuidou pessoalmente que a imagem fosse pintada exatamente de acordo com as orientações da religiosa. A tela em que havia ordenado a pintura da imagem de Jesus Misericordioso foi por ele adaptada às dimensões
de uma velha moldura que anteriormente lhe havia sido presenteada por uma paroquiana.
A pintura se estendeu por cerca de seis meses, e quando o quadro já estava pintado e pronto para ser exposto, o pe. Sopocko, querendo ainda certificar-se quanto à legenda que nele devia figurar, pediu a irmã Faustina que se informasse a esse respeito com Jesus Cristo:

”Em determinado momento, o confessor perguntou-me como deveria ser colocada
essa inscrição, visto que tudo isso não cabia nessa Imagem. Respondi que rezaria
e responderia na semana seguinte. Quando saí do confessionário e estava passando diante do Santíssimo Sacramento, recebi a compreensão interior de como devia ser
essa inscrição. Jesus me lembrou o que tinha dito na primeira vez, isto é, as palavras que devem ser salientadas: Jesus, eu confio em Vós” (Diário, 327).

”Pinta uma imagem de acordo com o modelo que estás vendo,
com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós” (Diário, 47).

”Ofereço aos homens um vaso, com o qual devem vir buscar graças na fonte da misericórdia.
Esse vaso é a Imagem com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós” (Diário, 327).

A inscrição ditada, que constitui um elemento essencial da integridade do culto transmitido, foi elaborada pelo pe. Sopocko numa placa adicional e por ele localizada na parte inferior da imagem. A seguir, atendendo a uma explícita exigência de Jesus Cristo, transmitida pela irmã Faustina, o pe. Sopocko deu início aos empenhos para expor a imagem na igreja de S. Miguel, em Vilna, da qual ele era reitor.

Em razão disso, no dia 4 de abril de 1937, com a autorização do metropolita de Vilna, o arcebispo Romualdo Jalbrzykowski, e após uma opinião positiva dos peritos, a imagem de Jesus Misericordioso foi exposta na igreja de S. Miguel em Vilna, onde por cerca de onze anos lhe devotaram a grande veneração que he cabia. Em 1941 uma outra comissão de peritos, convocada a pedido do metropolita, declarou que ”essa imagem foi executada artisticamente e constitui um precioso patrimônio da arte religiosa contemporânea”. (Protocolo da Comissão relacionado com a avaliação e a preservação da imagem do Salvador Misericordiosíssimo na igreja de S. Miguel em Vilna, do dia 27 de maio de 1941, assinado pelos peritos: professor
de História da Arte Dr. M. Morelowski, professor de dogma pe. Dr. L. Puchaty e conservador pe. Dr. P. Sledziewski).

Imagem na igreja de Santo Miguel (1937-1948).

Em 1948, depois que as autoridades comunistas fecharam a igreja de S. Miguel, a imagem (sem a moldura a a inscrição nela presente) foi comprada de forma clandestina e ilegal de um operário lituano que estava retirando os elementos decorativos do santuário.
Essa transação foi realizada por duas mulheres (uma polonesa e uma lituana), que tinham consciência das consequências que isso lhes podia acarrretar da parte das autoridades soviéticas. Elas retiraram da igreja a imagem enrolada e por algum tempo a esconderam
num sótão, esperando passar o tempo das eventuais ameaças.
Mais tarde elas entregaram a imagem à igreja do Espírito Santo, onde havia sido depositado também todo o patrimônio móvel da igreja que fora fechada. O pároco da igreja do Espírito Santo, pe. João Ellert, não se mostrou intressando em ficar com a imagem. Por isso em 1949 o pe. José Grasewicz, amigo do pe. Sopocko, que durante o tempo todo se mostrou preocupado com o destino da imagem, levou-a até a paróquia de Nowa Ruda, onde, apesar das muitas mudanças na administração da igreja, ela permaneceu por cerca de quarenta anos.

A imagem na igreja de Nowa Ruda, na atual Bielo-Rússia (1949-1986).

Em 1970, as autoridades de Nowa Ruda decidiram transformar a igreja num depósito.
Naquela época o pe. Sopocko se encontrava na Polônia e já não tinha nenhuma possibilidade de voltar a Vilna. Mas, visto que durante o tempo todo não deixou de intressar-se pela imagem, pediu ao pe. Grasewicz que a transferisse para um lugar mais seguro. A proposta confidencial
do pe. Sopocko no sentido de que a imagem fosse exposta na galeria de Ostra Brama (Ausros Vartai) em Vilna (Lituânia), onde havia sido exposta pela primeira vez para o culto público, foi transmitida somente em 1982 (já após a morte do pe. Sopocko). O então vigário de Ostra Brama, pe. Tadeusz Kondrusiewicz, achou essa ideia infundada e propôs que a imagem fosse exposta na igreja do Espírito Santo, onde era pároco o pe. Alexandre Kaszkiewicz, o qual, embora inicialmente a contragosto, finalmente concordou com a exposição da imagem.
Dessa forma o pe. Grasewicz tomou a decisão de trazer a imagem novamente a Vilna.

Diante disso, a fim de não provocar uma situação perigosa, numa noite de novembro de 1986, sem o conhecimento dos habitantes de Nowa Ruda, na igreja local, no lugar da imagem original foi exposta uma cópia previamente elaborada. Com a ajuda de irmãs religiosas de N. S. da Misericórdia (de Ostra Brama), cientes do que estava ocorrendo, a imagem retirada da moldura de madeira foi enrolada e naquela mesma noite levada a Grodno, e mais tarde à igreja do Espírito Santo em Vilna.

Por ordem do pe. Kaszkiewicz, antes de ser exposta no altar a imagem danificada passou por uma repintura. Essa intervenção modificou sensivelmente a aparência da face de Jesus Cristo, pelo que foi deformada a mensagem visual da imagem. Na imagem foi pintada em cor vermelha
a legenda JESUS, EU CONFIO EM VÓS. Além disso, para adaptar a imagem ao nicho do altar, foi enrolada a sua borda inferior e na parte superior foi colado um remate oval adicional.

Essas mudanças não estavam de acordo com a composição artística primitiva da imagem elaborada em 1934 por E. Kazimirowski com a coparticipação de Irmã Faustina e do pe. Sopocko. Foi uma ingerência brutal que diminuiu sensivelmente o valor original da obra.

A imagem na igreja do Espírito Santo em Vilna (1987-2005), antes e após a restauração.

A imagem renovada após a restauração em 2003, numa nova moldura e com a inscrição JESUS, EU CONFIO EM VÓS, permaneceu na igreja do Espírito Santo até setembro de 2005.


Na festa da Divina Misericórdia, 18 de abril de 2004, o metropolita de Vilna cardeal Audrys

 

Juozas Backis fez a nova consagração da igreja reformada da Santíssima Trindade, em Vilna, como Santuário da Divina Misericórdia. Ao mesmo tempo atribuiu à Congregação das Irmãs de Jesus Misericordioso o ministério da oração nesse Santuário
Em setembro de 2005, a esse Santuário foi transferida a primeira imagem de Jesus Misericordioso.

SANTUÁRIO DA MISERICÓRDIA DIVINA
Vilnius, Lituânia, Rua Dominikonu 12

Para a sede da Congregação, o metropolita destinou a casa na qual foi pintada a primeira imagem de Jesus Misericordioso. Graças à liberalidade dos benfeitores, essa casa foi adaptada às necessidades do funcionamento dessa Congregação religiosa.

Casa na qual foi pintada a primeira imagem de Jesus Misericordioso.
Atualmente CASA DA CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS DE JESUS MISERICORDIOSO
Vilnius, Lituânia, Rua Rasu, 6.



A primeira imagem de Jesus Misericordioso, exposta a partir de 1987 na igreja do Espírito Santo em Vilna, não despertou especial interesse, tanto dos peregrinos como das autoridades eclesiásticas. A falta de condições adequadas da exposição da imagem contribuiu para novas mudanças desfavoráveis em sua matéria.
Somente a partir de julho de 2001, com o consentimento do pe. Miroslau Grabowski, pároco da igreja do Espírito Santo, a Congregação das Irmãs de Jesus Misericordioso pôde abrir um novo núcleo em Vilna, aceito pela cúria local, e envolver com a sua proteção essa singular e valiosa imagem. Há algumas dezenas de anos, essa Congregação se empenha pela propagação
da primeira imagem de Jesus Misericordioso, daquela que surgiu na atmosfera do milagre divino – da oração e do sofrimento de Irmã Faustina, da sua presença e coparticipação.
Graças aos empenhos e à dedicação das irmãs, em abril de 2003 foi feita uma restauração geral da imagem, que se realizou na casa religiosa das Irmãs em Vilna. Da imagem foram retirados todos os acréscimos pintados, foram consertadas as partes danificadas e removidas as manchas que haviam surgido em consequência de umidade e de tentativas de removê-las com produtos químicos. Em consequência da restauração realizada, devolveu-se à imagem o seu aspecto primitivo.

 

Algumas deformações da tela não puderam ser removidas sem a utilização de cola. Trata-se de vestígios das várias retiradas da imagem da sua moldura de madeira (orifícios provenientes
dos pregos que fixavam a imagem) e dos cerca de quatro centímetros enrolados da borda inferior (em 1987 a imagem havia sido adaptada ao nicho do altar na igreja do Espírito Santo). Essas perdas, embora invisíveis na apresentação da imagem, constituem no entanto um traço seu singular e caraterístico.

(Orifícios deixados pelos pregos e dobras da imagem)


Por iniciativa dos organizadores e benfeitores da restauração da imagem realizada em 2003
– da Fundação dos Apóstolos de Jesus Misericordioso em Lodz (Polônia)
– em março de 2004 foi instituída na igreja do Espírito Santo em Vilna uma sessão fotográfica profissional da imagem. Desde então, a partir dos eslaides feitos e, posteriormente as fotocópias da primitiva imagem de Jesus Misericordioso estão sendo divulgadas e fornecidas para
a evangelização geral.

 


”Por meio dessa Imagem concederei muitas graças às almas;
que toda alma tenha, por isso, acesso a ela” (Diário, 570).

 


DOCUMENTAÇÃO
FOTOGRÁFICA DA CONSERVAÇÃO DA IMAGEM

 

Detalhe antes da restauração


Durante o processo de descascamento

Após a remoção do descascamento

Após a restauração


Detalhe antes da restauração


Após a remoção do descascamento


Após a restauração


Remoção do descascamento

As fotos provêm do arquivo da documentação restauradora de 2003.

Apesar de ter sido realizada uma restauração geral da imagem, o estado do seu material ficou sensivelmente enfraquecido, razão pela qual ela deve ser exposta em condições adequadas, de acordo com as recomendações dos técnicos. A restauração da imagem foi realizada pela Sra. Edite Hankowski-Czerwinski, de Wloclawek (Polônia) e-mail: edycja@autograf.pl , retauradora de obras de arte, formada pela Faculdade de Belas Artes da Universidade Nicolau Copérnico de Torun (Polônia).

No dia 3 de agosto de 2009, no Santuário da Misericórdia Divina em Vilna, a restauradora Edite Hankowski-Czerwinski realizou o controle periódico do estado da conservação da imagem. Ela definiu o estado da imagem como bom, não exigindo intervenção restauradora.

TERÇO

Palavras de Jesus:

“As almas que rezarem este terço serão envolvidas pela minha misericórdia, durante a sua vida e, de modo particular, na hora da morte”. “Quando recitam esse terço junto a um agonizante, aplaca-se a ira de Deus, a misericórdia insondável envolve a alma…” “Filha minha, anima as almas a rezarem o terço que vos dei. Pela recitação deste terço me agrada conceder tudo o que me peçam. Os sacerdotes o recomendarão aos pecadores como última tábua de salvação. Até o pecador mais obstinado, se rezar uma só vez o terço, receberá graça de minha Misericórdia infinita. Rezado ao lado dos agonizantes, me porei entre o Pai e a alma moribunda, não como justo juiz, mas sim como Salvador Misericordioso”. Escreve isto para as almas aflitas: Quando a alma vê e reconhece a gravidade de seus pecados, quando se descobre ante seus olhos todo o abismo de miséria em que tem caído, não se desespere mas que se aloje com confiança nos braços de minha Misericórdia, como um menino entre os braços de sua mãe amadíssima”.

Terço da Divina Misericórdia

Início:

Pai-Nosso, Ave-Maria, Creio

Nas contas grandes: Eterno Pai, eu vos ofereço o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação de nossos pecados e os do mundo inteiro.

Nas contas pequenas: Pela sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.

Ao final do terço: três vezes “Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.”

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PADROEIRA DO GRUPO

NOSSA SENHORA APARECIDA


Comemora-se no dia 12 de Outubro

No dia 12 de outubro, comemoram-se três datas, embora poucos lembrem-se de todas elas: Nossa Senhora Aparecida, padroeira oficial do Brasil, o Dia das Crianças e o Descobrimento da América. Nosso feriado nacional, no entanto, deve-se somente à primeira data, e, embora a devoção à santa remonte aos idos do século XVIII, só foi decretado em 1980.

Há duas fontes sobre o achado da imagem, que se encontram no Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida e no Arquivo Romano da Companhia de Jesus, em Roma.

Segundo estas fontes, em 1717 os pescadores Domingos Martins García, João Alves e Filipe Pedroso pescavam no rio Paraíba, na época chamado de rio Itaguaçu. Ou melhor, tentavam pescar, pois toda vez que jogavam a rede, ela voltava vazia, até que lhes trouxe a imagem de uma santa, sem a cabeça. Jogando a rede uma vez mais, um pouco abaixo do ponto onde haviam pescado a santa, pescaram, desta vez, a cabeça que faltava à imagem e as redes, até então vazias, passaram a voltar ao barco repletas de peixes. Esse é considerado o primeiro milagre da santa. Eles limparam a imagem apanhada no rio e notaram que se tratava da imagem de Nossa Senhora da Conceição, de cor escura.

Durante os próximos 15 anos, a imagem permaneceu com a família de Felipe Pedroso, um dos pescadores, e passou a ser alvo das orações de toda a comunidade. A devoção cresceu à medida que a fama dos milagres realizados pela santa se espalhava. A família construiu um oratório, que, logo constatou-se, era pequeno para abrigar os fiéis que chegavam em número cada vez maior. Em meados de 1734, o vigário de Guaratinguetá mandou construir uma capela no alto do Morro dos Coqueiros para abrigar a imagem da santa e receber seus fiéis. A imagem passou a ser chamada de Aparecida e deu origem à cidade de mesmo nome.

Em 1834 iniciou-se a construção da igreja que hoje é conhecida como Basílica Velha. Em 06 de novembro de 1888, a princesa Isabel visitou pela segunda vez a basílica e deixou para a santa uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis, juntamente com o manto azul. Em 8 de setembro de 1904 foi realizada a solene coroação da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida e, em 1930, o papa Pio XI decreta-a padroeira do Brasil, declaração esta reafirmada, em 1931, pelo presidente Getúlio Vargas.

A construção da atual Basílica iniciou-se em 1946, com projeto assinado pelo Engenheiro Benedito Calixto de Jesus. A inauguração aconteceu em 1967, por ocasião da comemoração do 250.º Aniversário do encontro milagroso da imagem, ainda com o templo inacabado. O Papa Paulo VI ofertou à santa uma rosa de ouro, símbolo de amor e confiança pelas inúmeras bênçãos e graças por ela concedidas. A partir de 1950 já se pensava na construção de um novo templo mariano devido ao crescente número de romarias. O majestoso templo foi consagrado pelo Papa, após mais de vinte e cinco anos de construção, no dia 4 de julho de 1980, na primeira visita de João Paulo II ao Brasil.

A data comemorativa à Nossa Senhora Aparecida (aniversário do aparecimento da imagem no Rio) foi fixada pela Santa Sé em 1954, como sendo 12 de outubro, embora as informações sobre tal data sejam controversas. É nesta época do ano que a Basílica registra a presença de uma multidão incontável de fiéis, embora eles marquem presença notável durante todo ano.

A imagem encontrada e até hoje reverenciada é de terracota e mede 40 cm de altura. A cor original foi certamente afetada pelo tempo em que a imagem esteve mergulhada na água do rio, bem como pela fumaça das velas e dos candeeiros que durante tantos anos foram os símbolos da devoção dos fiéis à santa. Em 1978, após o atentado que a reduziu a quase 200 pedaços, ela foi reconstituída pela artista plástica Maria Helena Chartuni, na época, restauradora do Museu de Arte de São Paulo. Peritos afirmam que ela foi moldada com argila da região, pelo monge beneditino Frei Agostinho de Jesus, embora esta autoria seja de difícil comprovação.

Seja qual for a autoria da imagem ou a história de sua origem, a esta altura ela pouco importa, pois as graças alcançadas por seu intermédio têm trazido esperança e alento a um sem número de pessoas. Se quiser saber mais detalhes sobre a Basílica e sua programação, visite o site http://www.santuarionacional.com.br, no qual também é possível acender uma vela virtual. E já que a fé, assim como a internet, não conhece fronteiras, eu já acendi a minha, por um mais paz e igualdade no mundo. Acenda a sua e que Nossa Senhora Aparecida nos ouça e ilumine o mundo, que está precisando tanto de cuidados.

Além da farta pescaria, muitos outros milagres são atribuídos à Nossa Senhora Aparecida. Veja alguns abaixo:

A LIBERTAÇÃO DO ESCRAVO ZACARIAS

O escravo Zacarias havia fugido de uma fazenda no Paraná e acabou sendo capturado no Vale do Paraíba. Foi caçado e capturado por um famoso capitão do mato e, ao ser levado de volta, preso por correntes nos pulsos e nos pés, e como passassem perto da capela da Santa, pediu permissão para rezar diante da imagem. Rezou com tanta devoção que as correntes milagrosamente se romperam, deixando-o livre. Diante do ocorrido, seu senhor acabou por libertá-lo.

O CAVALEIRO ATEU

Um cavaleiro que passava por Aparecida, vendo a fé dos romeiros, zombou deles e tentou entrar na igreja a cavalo para destruir a imagem da santa. Na tentativa, as patas do cavalo ficaram presas na escadaria da igreja. Até hoje pode-se ver a marca de uma das ferraduras em uma pedra, na sala dos milagres da Basílica Nova.

A CURA DA MENINA CEGA

Uma menina cega, ao aproximar-se, com a mãe, da Basílica, olhou em direção a ela e, de repente, exclamou “Mãe, como aquela igreja é bonita.” Estava enxergando, perfeitamente curada.


Oração à Nossa Senhora Aparecida

Ó Virgem Maria, abençoada sois vós
pelo Senhor Deus Altíssimo
entre todas as mulheres da terra.
Vós sois a glória de Jerusalém,
vós a alegria de Israel,
vós a honra do nosso povo.
Salve, ó Virgem, honra de nossa terra,
a quem rendemos um culto de piedade e veneração,
a quem chamamos com o belo nome de Aparecida.
Quem poderia contar, ó doce Mãe,
quantas graças, durante tantos anos,
vós dispensastes ao povo brasileiro,
compadecida dos nossos males?
Quisemos cingir vossa cabeça sagrada
com uma coroa de ouro,
que vos é devida por tantos títulos;
continuai a dobrar-vos benignamente às nossas preces.
Quando erguemos aos céus nossas mãos suplicantes,
ouvi, clemente, os nossos rogos, ó Virgem;
conservai nossas almas afastadas da culpa e,
por fim, conduzi-nos ao céu.
Salvação, honra e poder Àquele que, uno e trio,
nos fulgores do seu trono celeste,
governa e rege todo o universo.
Nossa Senhora da Conceição Aparecida,
rogai por nós. 


Novena à Nossa Senhora Aparecida

(para pedir a sua proteção para nós e para nossas famílias)
Ó Incomparável Senhora da Conceição Aparecida, Mãe de meu Deus, Rainha dos Anjos, advogada dos pecadores, refúgio e consolação dos aflitos e atribulados, ó Virgem Santíssima, cheia de poder e bondade, lançai sobre nós um olhar favorável para que sejamos socorridos em todas as necessidades em que nos achamos.

Lembrai-Vos, clementíssima Mãe Aparecida, que não consta que todos os que têm a Vós recorrido, invocado vosso santíssimo nome e implorado a vossa singular proteção, algum fosse por Vós abandonado.

Animado com essa confiança a Vós recorro; tomando-Vos de hoje para sempre por minha Mãe, minha protetora, minha consolação e guia, minha esperança e minha luz na hora da morte.

Assim pois, Senhora, livrai-me de tudo o que possa ofender-Vos e a vosso Santíssimo Filho, meu redentor e meu Senhor Jesus Cristo. Virgem bendita, preservai este vosso indigno servo, esta casa e seus habitantes, da peste, fome, guerra, trovões, raios, tempestades e outros perigos e males que nos possam flagelar.

Soberana Senhora, dignai-Vos dirigir-nos em todos os nossos negócios espirituais. Livrai-nos da tentação do demônio, para que, trilhando o caminho da virtude, pelos merecimentos da vossa puríssima Virgindade e do preciosíssimo Sangue de vosso Filho, nós Vos possamos ver, amar e gozar na eterna glória por todos os séculos dos séculos. Amém.

Responses

  1. Que testemunhos lindos!
    Minha alma se alegra por causa da Graça do Senhor e por Sua Divina misericórdia!
    😀

    • Olá Juliana,
      Que bom tê-la conosco!
      Estamos à serviço da Divina Misericórdia e é muito importante incentivos como o seu neste trabalho missionário.
      Obrigado de coração…
      Casais Missionários 02/06/2011.

  2. Eu, Carlos, tenho um testemunho da aparição de Jesus.
    Um certo dia ao tomar banho numa maré em um sitio que pertencia ao meu pai, encontrei uma ostra que pelo tamanho achei interessante, então levei para casa na cidade e pedi pra vizinha que trabalhava com a gente, lavar a ostra.
    Ao abrir a ostra para lavrar, ela gritou dizendo:
    – Você já viu o que tem na ostra?
    Eu respondi:
    – Não.
    E ela me trouxe a ostra. Vi que ali tinha a face de JESUS!
    Até hoje eu a guardo com muito carinho, pois é única do mundo.
    Se quizer tirar duvidas entre em contato com Carlos Carteiro em ESTANCIA/SE. Av. Getúlio Vargas, 497

    • Olá Carlos,
      Que testemunho mais lindo! Obrigado por compartilhar conosco.
      Se você quiser divulgar fotos é só nos enviar. É muito bom mostrarmos como Jesus se apresenta das formas mais simples para nosso enriquecimento e conversão.
      Você foi um agraciado. Deus o abençoe!
      Casais Missionários 17/07/2011.

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    saudações meu amigo, eu vim para parabenizá-lo pelo seu ótimo site. tudo de bom.

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    obrigado por compartilhar artigo tão útil. Agradeço o post. continuar a postar mais!


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